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Último Update: Nov 23rd, 2005 - 14:36:18
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Atualidade
Quanto custa um tombo? Depende da calçada, do piso, do lugar e principalmente da conta bancária do dono ou proprietário onde se caiu. Logo, um advogado estará batendo na porta dele em busca de um valor em dinheiro - de preferência muito dinheiro para resgatar a honra de quem caiu ou sofreu o dano.
No tempo das diligências o ultraje sofrido era pago com sangue. Hoje, as coisas mudaram e toda e qualquer injuria, difamação, dano, dolo ou prejuízo é perfeitamente limpo com o pagamento de indenizações - às vezes exageradas - obtidas nas cortes e nos tribunais americanos.
E quando se trata de arrancar indenizações de terceiros existem advogados especialistas em trazer a tona evidências que passariam desapercebidas aos olhos de um leigo. A procura por indenizações ameaça paralizar as cortes e tribunais, e alguns estados como o de New York baixaram leis que não permitem por exemplo que se mova processos contra as redes de fast food e indústria do tabaco entre outras.
Os pedidos de indenização são as vezes movidas por oportunistas em busca de dinheiro fácil. A justiça americana coleciona processos bizarros, como o da mãe que processou - e ganhou em 2000, cerca de US$ 780 mil, por haver tropeçado numa criança dentro de uma loja e se esparramado pelo chão. Só que a criança era filho da própria mulher.
Outro processo famoso e que mudou atitudes, foi o de uma mulher que processou e ganhou US$ 2,9 milhões do McDonald’s, porque derramou café quente nas suas pernas e sofreu queimaduras de 3º grau. Ao perder o processo a rede de fast food mandou imprimir nas tampas um aviso sobre a temperatura do conteúdo do copo.
Anualmente são milhões de processos e os maiores pedidos de indenização são na área médica ou que envolvem profissionais liberais que prestam serviços. De longe quem mais paga indenizações nos Estados Unidos é o ramo ligado a medicina. Certa feita o médico brasileiro Randas Batista, inventor de um procedimento cirurgico cardiaco, e por conta disto foi convidado por diversos centros médicos americanos para vir clinicar e operar aqui. A resposta do médico era chocante e mostra a realidade cruel do mercado de indenizações. Ele dizia que não podia vir para a América, pois aqui os profissionais preferem - muitas vezes deixar o paciente morrer e ir jogar golfe, que que tentar salvá-lo e não conseguindo ser acusado de negligência, processado e perder num único processo o que levou a vida inteira para ganhar.
Aliás, ser acusado de má prática é o pesadelo de qualquer profissional nos Estados Unidos. Se por um lado paga-se milhões de dólares em indenizações, por outro e pela própria complexidade do sistema, que é muito vulnerável a fraudes e sem o devido tempo de verificar cada reclamação a fundo, investigando para se constatar a veracidade do dano causado.
No entanto, as empresas fazem seguros altissímos no sentido de se prevenirem e não desembolsar um tostão sequer no pagamento de indenizações. Semanas atrás, o Laboratório Merck, fabricante do Vioxx, um antiinflamatório que se tomado por mais de 18 meses dobrava o risco de ataques cardíacos e derrames, e por conta disto foi retirado do mercado. Comprovadamente o texano Robert Ernst morreu em consequência do uso Vioxx, e a justiça mandou pagara a viúva US$ 253,4 milhões.
A notícia é ruim para o Laboratório Merck, pois já há cerca de quatro mil e duzentos processos na justiça Americana pelo uso do remédio e as previsões dão conta de que este número pode chegar a 25 mil, o que levou a empresa a provisionar cerca de US$ 50 bilhões para pagamento de indenizações. O tombo, que Janete tomou na calçada que não havia sido limpa da última neve, custou ao salão de beleza US$ 18 mil. Bem mais barato…
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