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Último Update: Sep 8th, 2005 - 10:58:19

Internacional



Retirada de Gaza – entenda as razões
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Sep 8, 2005, 10:53

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A partir do dia 15 de agosto, o governo israelense iniciou a retirada de oito mil colonos judeus que viviam em assentamentos localizados em cidades e vilarejos na faixa de Gaza - território que também é ocupado por 1,4 milhão de palestinos - e de cerca de 500 colonos que ocupam quatro assentamentos na região norte da Cisjordânia.
A saída de Gaza, após 38 anos de ocupação israelense, foi comemorada pelas autoridades palestinas, e pode ser um passo ao início do processo de paz na região. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, idealizador do plano, afirma que a retirada das colônias tem por objetivo diminuir a ameaça contra os israelenses que moram em territórios ocupados por palestinos.
Devido à proximidade das colônias aos assentamentos palestinos, tanto em Gaza como na Cisjordânia, os judeus residentes nessas áreas são alvos constantes de grupos extremistas palestinos, o que forçou a permanência de um grande contigente do Exército de Israel nessas regiões, provocando tensões que, na maioria das vezes, resultaram em mortes de palestinos e israelenses inocentes.
O plano de retirada das colônias judaicas de Gaza e Cisjordânia já havia sido esboçado em 2002 pelo Exército de Israel, e apresentado a Sharon. À época, o projeto foi concebido para um eventual acordo de paz com os palestinos, que tinham declarado, dois anos antes, o início da Segunda Intifada - revolta popular palestina contra a ocupação israelense, em setembro de 2000.

Sharon
Mas o projeto só foi apresentado formalmente por Sharon em 18 de dezembro de 2003, durante a Conferência de Fourth Herzliya, que reúne anualmente líderes israelenses e de outros países. Aprovado pelo gabinete israelense em 6 de junho de 2004 - por 14 votos a 7, o plano seguiu para o Knesset - Parlamento, onde foi aprovado em 25 de outubro de 2004, por 67 votos a 45.
Apesar disso, o plano de retirada enfrentou enorme resistência política na esfera governamental. Logo após ser aprovado pelo Knesset, o Likud - partido de direita, de Sharon - levou aos parlamentares um pedido de realização de um referendo público sobre a retirada, o que poderia derrubar o plano.

Em março passado, o Knesset rejeitou o pedido de referendo, provocando severas críticas de ativistas judeus, que chegaram a afirmar que a retirada iria dividir a sociedade israelense, apesar de pesquisas de opinião realizadas no início do ano apontarem que a maioria da população de Israel concordava com o plano.

Plano de paz
A retirada das colônias de Gaza e Cisjordânia consta do plano internacional de paz elaborado pelos Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia, e o território de Gaza é reivindicado pelo governo palestino para a formação de seu futuro Estado.
Os princípios do plano de paz foram delineados primeiramente pelo presidente americano, George W. Bush, durante um discurso realizado em 24 de junho de 2002, no qual ele falou publicamente da criação do Estado palestino sendo, inclusive, o primeiro chefe de governo americano a defender a criação de um país para os palestinos.
O Quarteto pede que em troca da criação de um Estado palestino, a ANP - Autoridade Nacional Palestina deve acabar com a ameaça de terrorismo praticado pelos grupos extremistas palestinos contra israelenses.
Além disso, o plano internacional de paz também prevê o congelamento de qualquer construção israelense em colônias localizadas em Gaza e Cisjordânia, o que não permite que os territórios ocupados por israelenses se expandam.
Mas especialistas dizem que o governo palestino ainda não conseguiu cumprir a primeira fase do plano de paz, que é justamente acabar com o extremismo palestino. Nesse contexto, a retirada das colônias israelenses de Gaza é uma das iniciativas em direção à implementação do plano.
Críticos e analistas também afirmam que a intenção de Sharon em abandonar Gaza é de negociar uma parte maior do território da Cisjordânia.
Outro ponto polêmico entre os dois governos é a cidade de Jerusalém, capital de Israel e reivindicada como capital do futuro Estado palestino. Os israelenses não aceitam a divisão da cidade.



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